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Com o objeitvo de dar suporte ao crescimento e acomodar número maior de empreendimentos no futuro, Suape buscou inspiração na Europa para também modernizar sua estrutura jurídica e acionária. Hoje o complexo é público com capital controlado pelo governo do estado de Pernambuco. A ideia em gestação é transformá-lo em sociedade anônima de capital fechado.
Poucos portos brasileiros sofreram transformações tão profundas nos últimos anos quanto o Complexo Industrial Portuário de Suape, em Ipojuca, no estado de Pernambuco. Após quase 30 anos de ostracismo, Suape tornou-se um dos portos mais dinâmicos e modernos do País. O número de navios que atracam em seus cais praticamente dobrou nos últimos cinco anos e tende a crescer ainda mais. A previsão é que a movimentação de cargas aumente em 20% neste ano. O porto também está entre os que mais atraem empreendimentos. Neste momento, os investimentos previstos para a instalação de 37 novas empresas, entre as 100 já existentes, somam US$ 17 bilhões. Para dar suporte ao crescimento e acomodar um número ainda maior de empreendimentos no futuro, Suape buscou inspiração na Europa para também modernizar sua estrutura jurídica e acionária.
Atualmente o complexo é uma empresa pública com 100% do capital controlado pelo governo do estado de Pernambuco. A ideia em gestação é transformá-lo em sociedade anônima de capital fechado. A mudança permitirá que Suape receba sócios e passe a operar como empresa de capital misto, ainda controlada pelo estado, mas com a participação de outros sócios. Entre as empresas que já manifestaram interesse em entrar em uma eventual sociedade está a Petrobras, que tem grandes investimentos em Suape. A mudança jurídica agilizaria a contratação de empréstimos e permitiria alternativas de capitalização só liberadas a S/As, como a emissão de debêntures. “O estado não abre mão de ser o controlador do complexo”, diz Sidney Aires, vice-presidente de Suape. “Mas vamos investir num modelo diferenciado e moderno que busca flexibilizar e agilizar a capitalização de Suape.”
A fonte de inspiração para a mudança é o Porto de Rotterdam, na Holanda, o maior da Europa e um dos mais importantes do mundo. Rotterdam é uma S/A controlada pela prefeitura. Há dois anos, Rotterdam presta consultoria a Suape e neste ano entrega uma proposta para o novo plano diretor do complexo que inclui essa e outras sugestões. Se a criação da S/A vingar, Suape vai implantar no País um novo modelo para o setor. “Hoje, não existe nada parecido com isso em portos públicos brasileiros”, diz Rui Botter, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, especialista em portos. |